quarta-feira, 12 de março de 2014

Luciana Santos – Uma voz comunista em defesa da cultura



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Mulher que aprendeu os primeiros conceitos feministas com pai e que teve uma infância recheada por debates  políticos ligados aos  interesses das classe trabalhadora, soube bem aproveitar a sua educação revolucionária. Luciana Santos iniciou a sua militância política como muitos comunistas no movimento estudantil, participando inclusive direção da União Nacional dos Estudantes – UNE. A comunista do PCdoB tem um trajetória politica importante foi deputada estadual, prefeita por dois mandatos de Olinda-PE  e atualmente é deputada federal e presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. A deputada comunista diz que a prioridade da  Frente e dos Movimentos Sociais esse ano é lutar pela efetiva implementação do Sistema Nacional de Cultura, incluindo o debate sobre orçamento. O que inclui  aprovar a PEC 150 que destina 2% do orçamento para a Cultura.  Na atual conjuntura por politicas públicas para cultura o PCdoB vem tendo papel destacada atualmente a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados é presidente pela parlamentar comunista Alice Portugal,  o  senador Inácio Arruda - CE  é coordenador da Frente no Ceará e a deputada Jandira Feghali é ex-presidente do Frente e autora do  Projeto de Lei do Cultura Viva.

Alexandre Lucas - Quem é Luciana Santos? 

Luciana Santos - Sou uma mulher comum, brasileira, cidadã com um forte desejo de viver em um mundo melhor e mais justo. Sou movida por um ideal de sociedade que confio ser possível construir. Tive o privilégio de crescer em um ambiente familiar repleto de debates, a política era uma vivência diária em casa: meus avós eram operários e militantes do movimento social, meu pai também foi operário, antes de se tornar engenheiro eletricista e professor universitário, e fazia parte do Partido Comunista. Foi ele quem me apresentou os textos do Partido e os primeiros conceitos do feminismo. Este legado familiar também possui contribuições da minha mãe, uma mulher esclarecida, séria, de caráter aguçado. E muito atenta à política. Uma vez, em Santo Amaro, ela quase leva um “bolo” da polícia por formular um abaixo-assinado contra a bomba atômica.

Alexandre Lucas - Como conheceu o Partido Comunista? 

Luciana Santos - Conheci o PCdoB na Universidade Federal de Pernambuco, quando fazia graduação em Engenharia Elétrica, quando fui convidada para participar do Movimento Viração. A partir daí me filiei e me organizei na base universitária da UFPE, onde comecei a ter vida orgânica no PCdoB. 

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória política: 

Luciana Santos - Embora tivesse participação ativa na época de colégio, foi na faculdade de Engenharia Elétrica da UFPE que comecei a me envolver de fato com a política estudantil. Fui presidente do DA que representava os cursos de Exatas e Tecnologia, fui diretora do DCE, vice-presidente regional da UNE e conheci o PCdoB, o partido do socialismo e consolidei minhas convicções da perspectiva socialista. Quando terminei o curso, Alanir Cardoso, presidente do PCdoB em Pernambuco, me convidou para ser candidata a vereadora em Olinda. Resisti no começo pois era muito tímida, mas Alanir me convenceu porque a candidatura era uma forma de construir o partido na cidade. Fui primeira suplente em 1992.
Dois anos depois me candidatei a deputada estadual e fiquei novamente na suplência, assumindo o mandato em 1997. Na eleição seguinte, me reelegi com o dobro dos votos, porém precisei interromper o mandato para pleitear a Prefeitura de Olinda. Em 2000, fui eleita prefeita, em 2004, veio a reeleição no primeiro turno. Depois de passar o cargo para o companheiro Renildo Calheiros, assumi a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do governo Eduardo Campos. E agora encaro este desafio de ser representante de Pernambuco na Câmara Federal.

Alexandre Lucas - Você foi prefeita da cidade de Olinda, um dos maiores patrimônios arquitetônicos e históricos do país. Quais os legados deixados no campo da Cultura?

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Comemorando título de Capital Brasileira da Cultura, com o então ministro da Cultura Gilberto Gil.
Luciana Santos - Olinda é uma cidade muito rica. Penso que o legado que deixamos desses dois mandatos foi importante e estratégico para que outras políticas públicas pudessem se desenvolver. Em especial destaco duas ações: primeiro protegemos o carnaval de rua de Olinda, valorizando a tradição dos blocos carnavalescos e do desfile dos bonecos gigantes através de uma medida que na época foi polêmica: a regulamentação do som em 70 decibéis e proibição de sons eletrônicos nas calçadas.  Também trabalhamos muito para manter e proteger a condição de Patrimônio Histórico da cidade. Buscamos financiamento, participamos de discussões onde as cidades-patrimônio puderam expor suas dificuldades e conjuntamente encontrar alternativas e fizemos toda a movimentação possível para conseguir financiamento necessário para salvaguardar esse tesouro histórico e arquitetônico.

Alexandre Lucas - Atualmente você coordena a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. Em que consiste os trabalhos dessa Frente? 

Luciana Santos - A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura é um espaço de debate e de articulação em torno da pauta da Cultura no Congresso Nacional. Realizamos atividades públicas e debates sobre pautas importantes para a Cultura, a exemplo do funcionamento do Sistema Nacional de Cultura e das alternativas de financiamento para a Cultura. Também nos organizamos, parlamentares e sociedade civil, para que as pautas da Cultura tenham prioridade e tramitem nas duas Casas; entre outras atividades. 

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Reunião da Frente em Defesa da Cultura com ministra da Cultura Marta Suplicy.

Alexandre Lucas - Quais os desafios dessa Frente? 

Luciana Santos - Há muitos desafios por isso precisamos estabelecer prioridades. Esse ano devemos priorizar a luta pela efetiva implementação do Sistema Nacional de Cultura, incluindo o debate sobre orçamento. Queremos aprovar a PEC 150 que destina 2% do orçamento para a Cultura de maneira progressiva. Também daremos prosseguimento à campanha Parlamentar Amigo da Cultura, que no final do ano passado incentivou deputados e senadores a destinar emendas para a Cultura e atividades de incentivo à implantação do Vale-Cultura, além da votação do ProCultura, que faz modificações na Lei Rouanet. 

Alexandre Lucas - O Brasil deve vivenciar um marco legal da cultura. O que isso significa para o desenvolvimento do país? 

Luciana Santos - Entre outros aspectos, valorizar a Cultura e estabelecer um marco legal que garanta essa valorização é fundamental para nossa autonomia, para a autoestima do nosso povo, para qualificação da educação e desenvolvimento das nossas potencialidades. Temos um país muito rico e que ainda se conhece pouco, as políticas públicas devem existir no sentido de suprir essa lacuna, preencher esse espaço. 

Alexandre Lucas - Quais os impasses para efetivação do Sistema Nacional de Cultura - SNC? 

Luciana Santos - O SNC é um sistema criado para estimular e integrar as políticas públicas culturais implantadas por governo federal, estados e municípios, logo envolve muitos atores. Isso por si só já confere complexidade ao processo. Além disso, é preciso instituir práticas que apesar de simples não estavam no cotidiano de muitos estados e, principalmente, de municípios que envolvem a criação de uma secretaria de cultura, de um conselho de política cultural, a realização de uma conferência periódica de cultura, de um plano de cultura e a implantação de um sistema de financiamento, os fundos de cultura. Mas acredito que esses são pontos que podem ser ajustados desde que haja boa vontade política. 

Alexandre Lucas - Como é o dialogo da Frente com os movimentos sociais?

Luciana Santos - A relação é muito boa. Na verdade a Frente foi criada com um Conselho Consultivo composto por representantes de entidades ligadas a várias frentes relacionadas ao debate sobre Cultura. Esses conselheiros opinam e decidem sobre as prioridades da Frente e participam intensamente das atividades que acontecem no Congresso Nacional.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Chico Júnior – Um artista gaiato


O trabalho de Chico Júnior é caracterizado pelo seu humor e pelo seu forte sentimento de identidade ao povo do Crato. Humorista, cerimonialista, poeta, professor de oratória, Chico é um dos patrimônios efervescente da diversidade artística do Cariri. Um artista que foge dos rótulos e dos estereótipos o que limitem a grupo de artistas ou tendências. Para ele é preciso criar condições de trabalho os artistas daqui e frisa “é possível fazer bons shows de humor sem importar humoristas, o intercâmbio é importante, mas há gente muito boa aqui”.

Alexandre Lucas - Quem é Chico Júnior?

Chico Júnior - Chico Júnior é um artista, um pai de um casal lindo, esposo de uma mulher linda, mas também eletricista, técnico em eletrônica, tecnólogo em automação industrial, cerimonialista, mestre de cerimônias, professor de oratória, poeta, palestrante, apresentador, animador, locutor, humorista e filho legítimo do Crato, nascido e criado no bairro do Seminário, que foge de estereótipos, rótulos ou comparações que o limitem a um determinado grupo de artistas ou tendências.

Alexandre Lucas -  Como se deu seus primeiros contatos com arte?

Chico Júnior - Há lampejos deste contato em lembranças de professoras contando histórias no começo dos anos 80, no contato com a banda cabaçal dos Aniceto nos festejos de São José do Seminário na mesma década. Há uma lembrança clara de um contato com um disco do humorista Barnabé na infância, o contato com as poesias do programa Coisas do Meu Sertão de seu Eloi, os programas dos Trapalhões aos domingos, os filmes do gênial Charlie Chaplin, o programa de Jô Soares e o contato com o imortal Chico Anysio.

Alexandre Lucas - O seu trabalho é conhecido pelo humor. De onde vem essa relação?

Chico Júnior - O humor foi uma maneira natural encontrada pra ter visibilidade, mas não foi algo pensado de forma fria e calculista, aconteceu. O humor sempre esteve presente nas rodas de amigos e a imitação sempre foi um ponto forte e o jornalístico Aqui Agora-1991 do SBT, trouxe um dos primeiros imitados, Gil Gomes.

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Chico Júnior - A década de 90 foi o divisor de águas para quem tinha medo de falar ao telefone e chegou a sair de sala de aula pra não apresentar um trabalho de biologia. As imitações de Gil Gomes, Sílvio Santos, dos personagens de Chico Anysio, de pessoas do cotidiano, trotes em orelhão, o Senai, o ingresso na Escola Técnica Federal do Ceará de Juazeiro do Norte(atual IFCE), a Rádio Expansão e a Grendene deram as condições para o amadurecimento do artista Chico Júnior que está em constante aprendizado e permitem o trânsito pelo mundo do Humor, da Comunicação, da Educação, dos Cerimoniais e da Cultura. Não esquecendo que nos últimos 8 anos, atuando no atual emprego na Chesf( Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) teve oportunidade de desenvolver as competências de Humorista e Cerimonialista em eventos do cronograma da mesma.

Alexandre Lucas - Como você vê a produção artística no Cariri?

Chico Júnior - Como diria Pero Vaz de Caminha: Nesta terra em se plantando até artista dá! Com todo respeito, claro.
Percebe-se que os artistas até gostariam de produzir mais, mas há algumas limitações ligadas a produção. Produção independente dá trabalho! O patrocinador quer contrapartida, o produtor precisa ser pago, o artista também, os espaços são caros, a publicidade requer investimento e o preço tem que ser justo?!?! Um ponto é importante lembrar: Não há editais para todos os artistas e nem todos atendem os requisitos para concorrer aos mesmos.
Um projeto precisa se pagar para rodar, e infelizmente por conta da desvalorização histórica dos artistas locais, por conta de uma ideia de que o artista de fora é melhor que o nosso, ou o artista trabalha de graça ou procura um bico para viver, porque de arte é difícil. Por estas e outras limitações algumas portas ficam fechadas, espaços ficam sem uso, a população não tem acesso a várias modalidades de arte e tenham certeza, cada um de nós tem culpa nisso.

Alexandre Lucas - O Ceará é conhecido pelo humor. Como você analisa isso?

Chico Júnior - O Ceará também é conhecido no ITA como um dos estados que mais manda alunos! Não que seja o presente caso!
Fazer humor é tão difícil quanto entrar no ITA. Tem gente que faz humor porque não sabe fazer outra coisa, tem quem faça porque acha que pode fazer e se convence disso e termina convencendo a gente! Tem espaço pra todo mundo, pra todo tipo de humor, para o ruim e para o bom. No final das contas o humor precisa produzir riso e inquietação. Humor precisa fazer cócegas no cérebro e provocar reações.
Rir de si e da desgraça é um dos caminhos usados para produzir o riso, porque o outro sente alívio de não estar na pele do “desgraçado”. Isto não quer dizer que o cearense é mais vítima, mas miserável ou mais desgraçado, quer dizer que somos mais gaiatos.

Alexandre Lucas - Como você percebe a produção humorística no Cariri?

Chico Júnior - Está engatinhando, ela precisa se erguer e começar a andar por si, precisa amadurecer, e temos um papel importante nisto, na formação de plateia para humor. É possível fazer bons shows de humor sem importar humoristas, o intercâmbio é importante, mas há gente muito boa aqui e cito 3 nomes: Adauberto Amorim com um personagem espetacular que é o Coronel Barduíno, o Pedro Ernesto com o grande Tranquilino Ripuxado e um cara muito bom, o melhor de nós, o Francimilton ou simplesmente XUXO.  Anotem estes nomes.

Alexandre Lucas - Você é um dos colecionadores de vitrolas e vinis no Cariri.  Ainda existe pessoas  interessadas nestas  mídias?

Chico Júnior - Isso é um hobby, uma paixão e algo que dá muito prazer, porque faz parte da história, cada vinil tem uma história e eles contam muitas. A cada dia descobrimos mais gente que gosta, que se interessa, que pesquisa como o amigo Daniel Gonçalves, um jovem que pesquisa por amor, como o Evandro Peixoto, o Abrahão Linard, Taciano Ribeiro e muitos outros. A cada dia ganha mais força! Em junho passado, juntamente com a Amiga Rosa Waleska e com Alexandre Lucas fizemos um movimento muito interessante, o Coquetel de Vitrolas e Vinis que teve repercussão estadual em todos os meios de comunicação. Isso mostra a vitalidade e o quão interessante é.  

Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Chico Júnior - Em 2013 tive a felicidade de estar com jovens da rede municipal de ensino de Crato para palestras e foi possível conversar sobre pontos importantes sobre a maneira como cada um está se dedicando ao próprio futuro e ao presente, e esta disponibilidade permanece presente para trazer a vivência e o exemplo para todas as escolas públicas que convidarem. Além de ter participado da campanha Apae Esperança com o show de humor beneficente Os Considerados- Humor de 5ª que foi um sucesso e que está disponível para atender convites.

Alexandre Lucas - Quais os seus próximos trabalhos?

Chico Júnior - Em 2014 iremos oferecer mais turmas do nosso Curso de Oratória e Expressão verbal chamado Comunique para que todos tenham a oportunidade de melhorar como comunicadores;
Apresentaremos para as escolas públicas palestras/oficinas sobre oratória;
Já me disponibilizei a levar para a comunidade do Gesso esta palestra/oficina de oratória.
Como um dos únicos filiados do Comitê Nacional do Cerimonial Público do Brasil, CNCP, no Cariri vamos reforçar o tema Cerimonial na região, elevando o nível dos mesmos.
Iremos retomar com os shows de Humor dos Considerados em modalidade dupla, trio e quarteto;
Traremos, em parceria com nossa amiga Rosa Walesca, novas edições do Coquetel de Vitrolas e Vinis;

Iremos apostar nos nossos canais de humor e de comunicação no youtube e melhorar cada vez mais.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Bastinha - Uma crítica bem humorada


Cordelista, professora e responsável pela inclusão da disciplina de Literatura Popular do Curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, Bastinha Job vem desenvolvendo o seu trabalho poético desde a infância. Pertencendo a Academia dos Cordelistas do Crato,  ela destaca com orgulho que “É bastante dizer que ela  (Academia) revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes”.    


Alexandre Lucas – Quem é Bastinha?

Bastinha - Professora aposentada,
cordelista na ativa,
Assaré do Patativa
é minha terra amada;
Crato é a mãe idolatrada,
que me acolheu em seu seio,
aqui encontrei o veio
da joia da Educação,
da completa Formação
que me deu força e esteio.
Alexandre Lucas – Como se deu seu contato com a poesia?

Bastinha - Leio desde a meninice
Patativa e Aderaldo,
deslumbrei-me com Clarice,
no momento, leio Ubaldo,
Pompílio e Zé da Luz
estilo que me seduz;
E viajei com Lobato,
neles, vivi a magia
 setas da  minha  poesia
e guias do meu contato.
Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória poética:
Bastinha - Minha trajetória começou desde criança quando fiz o curso de declamação na Escola de Arte de Sara Quixadá Felício Participei de muitos jograis que se apresentavam em grêmios escolares, comemorações. Continuamente, fiz o Curso Primário, o Pedagógico e cursei Letras na antiga Faculdade de Filosofia. (URCA) Ensinei Língua Portuguesa em quase todos os colégios do Crato. Durante muitos anos (até aposentar-me) na referida URCA . No ano de 1993 consegui um gol de placa: criei com dois colegas, a Cadeira de Literatura Popular sendo a primeira professora do mencionado Curso. Graças a Deus a Cadeira se mantém forte e firme descobrindo vários talentos.
Alexandre Lucas – O que representa a Academia dos Cordelistas do Crato para você?
Bastinha - A Academia dos Cordelistas do Crato,  fundada pelo saudoso Elói Teles de Morais, no ano de 1991, não é só um marco na minha vida; mas  para toda a Cultura Popular do Crato e do Nordeste. Através dela, me descobri cordelista. Ela também resgatou o cordel que estava agonizante, mascarado pelos meios de comunicação de grande  e monopolizador poder. E o melhor, foi  por causa dela ,que eu não medi esforços para fundar a Cadeira de Literatura Popular da URCA. A Academia., sim, merece um troféu!
Alexandre Lucas – Como você define a sua poesia?
Bastinha - Eu faço poesias críticas
com pitadas de humor
e alfinetadas políticas,
mas também falo de amor;
meu poetar é a arma
que incita ou que desarma,
que faz rir, que faz chorar;
em suma ela é catarse
autêntica e sem disfarce
um compromisso a se honrar!

Alexandre Lucas – Como ocorre o seu processo criativo para a poesia?

Bastinha - Não tenho um processo criativo específico. Sigo as minhas intuições inspiradas  pelos fatos do cotidiano, acontecimentos políticos, sociais, religiosos e, sobretudo, crítico humorísticos.

Alexandre Lucas – Como você avalia a produção literária na região do Cariri?

Bastinha - Nossa região é muito bem servida neste setor. Nossa Cultura é rica e diversificada. No tocante à literatura de cordel, principalmente, houve grandes impulsos, nessas duas últimas décadas,com a criação da Academia dos  Cordelistas do Crato (a qual pertenço). É bastante dizer que ela revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes. Nossa Academia transpôs fronteiras, e, só precisa  de apoio financeiro dos órgãos competentes.

Alexandre Lucas – Você acredita que a literatura é um instrumento político? 

Bastinha - É sim. A política é que não toma conhecimento de sua importância na literatura. Através da poesia, o poeta critica, louva, aplaude,orienta  e se engaja em qualquer setor: político, social, religiosa, histórico, onírico, etc, etc...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos? 

Bastinha - Diariamente os acontecimentos me fazem escrever sonetos, trovas e cordéis. Entretanto, estou compilando meus textos mais pertinentes a fim de escrever meu tão sonhado livro.




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Kaika Luiz – Um produtor com a cara do Cariri contemporâneo

Começou a produzir eventos no tempo em que fazia  tertúlias na sua casa, Kaika Luiz desde cedo manteve contato com a diversidade da produção do Cariri e nos últimos vintes anos vem se destacando pelo seu trabalho de produção cultural, tendo sido responsável pela vinda para região de artistas como Moraes Moreira, Fagner, Kid Abelha, Lobão, Luiz Gonzaga e Bandas como Seu Chico (Recife), As Chicas (Rio de Janeiro), Black Dog (Rio de Janeiro), Blues Power (Rio de Janeiro), Cabruêra (João Pessoa), Os Transacionais (Fortaleza), Os Caetanos (Recife), Caco de Vidro (Fortaleza) e muitos outros, além de quase todas as bandas do Cariri. Kaika também  é um dos defensores da criação do percentual de 2% receita municipal ara cultura.  

Alexandre Lucas –  Quem é Kaika Luiz?

Kaika Luiz  - Existe uma música do Nilton César, das antigas, chamada EU SOU EU que acho me identifica bem, principalmente no trecho onde ele canta: “Eu sou eu, foi meu pai que me fez assim, quem quiser que me faça outro, se achar que eu sou ruim.” Ouvia muito essa música nos parques que vinham para o Crato fazer a festa da exposição e padroeira, principalmente o Parque Maia. Sempre achei que essa música diz um pouco de mim.

Alexandre Lucas –   O que é o Cariri para você?

Kaika Luiz  - Uma lindeza que tive a grande oportunidade de nascer. Certa vez ouvi da amiga Izaíra Silvino que “O cariri tem um artista em cada esquina”. Isso é o que vejo também: por onde você anda aqui no Cariri você esbarra com um artista. Então o Cariri é isso.  Arte pura.

Alexandre Lucas –   Como se deu seus primeiros contatos com a arte?

Kaika Luiz  - Dentro da minha própria casa, desde cedo. Tive várias influências culturais. Inicialmente com meu irmão mais velho Nacélio, conhecido por Veinho. Eu era criança e ele teve uma banda aqui no Crato. Era o THE TOPS que já tocava muita música bacana. Outro irmão, o Roncy, um pouco mais velho que eu, mas um grande apreciador de rock,  eu curtia junto. A banda Ases do Ritmo, outro grande ícone das décadas de 70/80 no Cariri. Tive o prazer de ver e ouvir muitas vezes essa moçada sob a batuta de Hugo Linard. Aí vem Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Beatles, etc. Na literatura veio do Colégio Diocesano, onde estudei todo o ensino básico. Lembro bem do meu primeiro livro que ganhei de presente da professora Almerinda Madeira no meu aniversário. Foi “As aventuras de Tom Sawer” de Mark Twain. Nunca esqueci esse presente. No cinema, desde cedo nós convivíamos com a arte do cinema aqui no Crato, pois como todos sabem, tínhamos três ótimas salas de exibição e eu garoto estava sempre antenado com o cinema. Então, eu convivi com algumas vertentes das artes desde cedo, música, teatro, cinema, literatura, pintura, tudo isso fez parte da minha vida infantil e continua até hoje.

Alexandre Lucas –  Fale da sua trajetória:

Kaika Luiz  - Nasci na Rua Teófilo Siqueira, esquina com a antiga Rua Pedro II (hoje é Rua Vicente Lemos). Ali onde hoje tem um prédio e funciona uma xerox. Minha primeira escola foi o grupo escolar Alexandre Arraes. Em seguida mudei para o Diocesano. Desde cedo já me interessava em ajudar o meu pai no seu comércio na inesquecível Cantina do Oliveira que, mais tarde, profissionalmente, comandei por 25 anos. Com o falecimento do meu pai em novembro de 2000, resolvemos fechar a empresa e a partir daí comecei a levar a minha profissão de produtor cultural com mais afinco. Na realidade eu já o fazia antes, mas só a partir do ano 2000 é que me voltei totalmente para a profissão. A minha produtora foi fundada desde 1996. Neste cenário também trabalhei e ainda trabalho com publicidade e turismo. Sou meio workaholic, sempre procurando me envolver com arte, cultura e turismo.

Alexandre Lucas –   Você tem contribuído para a produção cultural na região do Cariri. Fale desse trabalho:

Kaika Luiz  - Pois é, isso começou também muito cedo. Acho que nos tempos que fazia as “tertúlias” em minha casa. Minhas festinhas já eram conhecidas. Depois, quando fui trabalhar no comércio, fui convidado a integrar a diretoria do Crato Tênis Clube, o que fiz durante oito anos. Nesse período as festa da “Exposição do Crato” aconteciam nos salões do CTC. Minha profissão de produção se intensificou muito nesse período. Foi no Crato Tênis Clube, principalmente com alguns componentes da diretoria, principalmente o Ermano Américo, que a coisa detonou. Aí trouxemos pra tocar no clube artistas como Moraes Moreira, Fagner, Kid Abelha, Lobão, Luiz Caldas, Luiz Gonzaga, Beto Barbosa, e muitos outros. Em seguida fiz algumas produções locais com o artista Nonato Luiz, e uma mini turnê estadual com o Didi Moraes. Tenho conseguido ultimamente em parceria com a produtora Mônica Vitoriano, da MC2 Produções, realizar bons eventos aqui na região, sempre procurando buscar novas linguagens musicais em atividades em outras regiões, em sintonia com a produção local. Bandas como Seu Chico (Recife), As Chicas (Rio de Janeiro), Black Dog (Rio de Janeiro), Blues Power (Rio de Janeiro), Cabruêra (João Pessoa), Os Transacionais (Fortaleza), Os Caetanos (Recife), Caco de Vidro (Fortaleza) e muitos outros, além de quase todas as bandas do Cariri. Sempre procuramos colocar uma banda local nessas apresentações no sentido de haver uma interação entre os estilos e para o conhecimento entre artistas.

Alexandre Lucas –   Como você ver a produção cultural na região?

Kaika Luiz  - Apesar das dificuldades, sempre tem acontecido bons eventos na área cultural no nosso Cariri. Disso podemos nos orgulhar, porque não é fácil realizar esses trabalhos por conta da forte pressão que sofremos com a mídia de massa em eventos de gosto duvidoso, mas que arrasta multidões, infelizmente. Mas graças a Deus temos feito a diferença no Cariri e isso juntamente com outras produtoras, com o SESC, a Secretaria de Cultura do Crato, que sempre tem nos apoiado e a nossa luta na busca de patrocinadores que nos ajudam a viabilizar esse evento. O Centro Cultural do Banco do Nordeste também tem feito um trabalho belíssimo aqui no Cariri, o que nos dá ótimas oportunidades de ver trabalhos de grandes nomes do cenário cultural brasileiro. Em relação aos artistas, fica impossível citar a todos, mas o Cariri é destaque digo que até internacional, por conta de grandes nomes que estão produzindo trabalhos cada vez mais belos e originais.

Alexandre Lucas –   O que você propõe?

Kaika Luiz  - Além dos 2%, que a lei deveria funcionar, proponho uma maior interação entre os produtores, os artistas, o poder público e as empresas, seja comércio ou indústria, no sentido de conseguirmos parcerias fortes para a viabilização de eventos bacanas. Proponho  melhor organização da cadeia produtiva da produção cultural, a fundação de uma associação, sindicato, ou, enfim, que todos, juntos, procuremos nos organizar melhor para o nosso engrandecimento e maior participação de todos.

Alexandre Lucas –   Você também é poeta. Fale da sua poesia:

Kaika Luiz  - Pois é, a poesia também sempre fez parte da minha vida. Desde muito tempo que escrevo, mas como sou muito tímido, nunca as publiquei. De repente me deu vontade de fazer isso através das redes sociais, o que tem me dado um ótimo feedback das pessoas. Achei muito bom isso. A minha poesia é super simples, mas utilizo sempre uma linguagem bem direta e bastante forte. Às vezes utilizo da métrica, mas nem sempre. São vários temas, muitos deles de ordem pessoal, mas tem também a poesia absurda, fora de contexto e engraçada. Gosto de brincar com as palavras, as vezes uso travas-línguas, e outros recursos para torna-la única. Por conta disso algumas delas já viraram música: duas feitas pelo grande músico Pantico Rocha e outro pelo baixista Gustavo Portela de Fortaleza. Estou feliz por isso e pela repercussão do que tenho escrito.

Alexandre Lucas –   Tem planos de publicar um livro com essas poesias?

Kaika Luiz  - Tenho sim, inclusive já recebi um convite para fazer isso através da amiga Eliza Mariano, uma cratense que mora em Fortaleza, proprietária da livraria Lua Nova, um ótimo espaço cultural da nossa capital. Estou organizando tudo isso, inclusive à procura de patrocinadores para viabilizar a impressão.

Alexandre Lucas –   Quais os seus próximos trabalhos?

Kaika Luiz - Estou  organizando para este segundo semestre. Dia 5 de outubro estamos viabilizando a vinda do artista Nigroover de Fortaleza e estamos procurando apoios pra fazer novamente o Reveillo’n’roll, com bandas de rock. Tem também a realização do meu maior sonho que é o FICA – Festival de Inverno do Cariri que estou na luta pra realizar no próximo ano. O FICA já tem projeto há uns 4 anos, já está registrado, só falta o principal: apoio, mas estou sempre procurando e nunca vou me cansar disso.